Construção do olhar

Participei como aluno de uma oficina de conteúdo muito rico sobre teorias na fotografia contemporânea, ministrada por Rogério Entringer.

Rogério tem uma ótima bagagem cultural e excelentes conhecimentos acerca do tema que abordou; vislumbra intertextos impensáveis entre a fotografia e as mais diversas artes.

Apresentou material de excelente qualidade, de conteúdo vasto e interligado, fluido, fácil de se absorver e de se envolver.


Voltar a estudar a fotografia conceitual, simultaneamente conhecer Paris e seus hábitos, além de conhecer mais a fundo o trabalho do Lachapelle, despertaram novamente uma busca que ficara de lado, não por não prezar, mas por dedicar tempo demais a outras coisas: A busca pela MINHA linguagem.


Hoje passo por um conflito entre a necessidade de buscar, no meu limite, a imagem asséptica, aprovada pelo cliente (e muitas vezes abrindo mão do que eu mesmo considero bom/ideal) e a criação de algo mais visceral, fora do lugar comum, transgressor no que diz respeito ao que a massa chama de “adequado”, e ao mesmo tempo consumível e que faça o espectador repensar a fotografia como meio de expressão.


Não que domine completamente a técnica fotográfica; também não que pretenda que minha fotografia seja considerada “arte”. O ponto é que compreendo a técnica o suficiente para que a fotografia técnica já não me excite, porém ainda não descobri a minha fotografia, a que transcende o ponto do equilíbrio simplesmente técnico e entra na expressão pessoal do fotógrafo (apesar de toda fotografia ter algo de pessoal do fotógrafo).


Mesmo tendo uma produção ainda muito pequena, o fato de ter nascido em berço de fotógrafo me trouxe muita informação sobre a área naturalmente, sem que fosse preciso clicar, testar e tentar todas as fotografias que me apareciam pela frente – Ou que qualquer outro fotógrafo teria que fazer até chegar num determinado nível de conhecimento.

Isto foi muito bom, pois foi um atalho. Por outro lado, a técnica tão almejada por fotógrafos iniciantes me aborreceu cedo demais.


Natural, minha ambigüidade na personalidade refletiria na minha fotografia.

Ao mesmo tempo em que acho lindo bater os olhos numa fotografia e saber quem é seu autor apenas pela luz, composição e técnica utilizadas, me intriga e fascina o portfólio de um fotógrafo cujas imagens são desconexas, tornando sua obra um verdadeiro labirinto (Claro, não por falta da técnica, mas justamente pelo contrário).


Às vezes me incomoda a sensação de ser superficial no que faço.

Então, quando me aprofundo em algo, sinto que estou demandando tempo demais a um único universo (Com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, agora mesmo, em tantas partes do mundo?).

Me sinto a própria Cristina, de Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen, 2008), definida por Maria Elena na conversa que têm, quando Cristina entra em crise e decide abandonar a vida que escolhera ao lado do casal. Esta cena falou diretamente a mim e os gritos da personagem da Penelope Cruz me calaram.


…Superficialidade graças a fome de conhecer mais pessoas, hábitos, técnicas, lugares, artes, culturas, crenças…

…Desejo de ser mais e melhor naquilo em que acredito, mas saber que acredito em tudo, principalmente no Homem e nas suas 06 bilhões de possibilidades de histórias.

Estar vivo é uma experiência tão rica, mas tão breve, perto de tudo o que se pode ser… Pensando assim fica muito mais fácil entender os atores.


Enfim, voltando ao início desta “inner trip”, desta oficina nasceu uma exposição.

Logo postarei as fotos que apresentei por lá.


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