Oficina de fotografia

Hoje começo a ministrar a oficina “Fotometria, Iluminação Criativa e Photoshop”, pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, através da Oficina Cultural Carlos Gomes.

Sempre faço seleção por questionário, para conhecer o perfil dos interessados (as regrinhas de marketing estão sempre na cabeça, em tudo).
Tabulando os dados fica muito claro que a necessidade geral é de compreender o funcionamento do próprio equipamento (mesmo quando se trata de câmera compacta) – Imagine, então, a essencial fotometria.

É preciso que as bases, formadas por aqueles que gostam de fotografia, que formam opinião sobre fotografia (dentro de seus próprios círculos sociais), que consomem fotografia, entendam que ela é prazerosa, porém não tão simples e barata quanto pode parecer. Somente assim os profissionais da área serão valorizados e o mercado se fortalece.

Fica a dica para os que se dispõe a lecionar fotografia. Quando a informação é disseminada, o bom profissional é quem mais ganha.


Arte final: Marcos César Fermino

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Contrato um fotógrafo ou compro de um banco de imagens?

Chega o momento em que o cliente precisa comprar uma foto e aí vem o raciocínio da maioria: “Para quê contratar um fotógrafo, dispor de meu tempo e do tempo da minha equipe, se basta fazer uma breve busca na internet para conseguir a “mesma” foto que quero, pagando muito menos?”.

É fato, não dá para negar: Os bancos de imagens estão cada vez mais completos, recheados de boas fotos. Os preços são muito acessíveis e tentadores ao cliente, principalmente quando comparados ao orçamento de um fotógrafo profissional.

Acho que não é preciso discutir a razão pela qual o valor da contratação de um fotógrafo profissional é superior ao valor de uma foto de banco de imagens, mas aqui vão alguns lembretes:
– A contrução das fotografias é personalizada, jamais encontrada em um banco de imagens;
– O cliente contará com o conhecimento do profissional para transmitir, através destas fotos, exatamente o que sua empresa quer comunicar;
– Nenhum concorrente poderá utilizar suas fotos, pois o cliente estará resguardado pela legislação;
– Ao mercado (tanto aos seus clientes, quanto aos seus concorrentes), demonstra seriedade, maturidade e profissionalismo (Já viu alguma grande empresa utilizar fotos de banco de imagens?);
– Entre outras ene razões.

Existe um fator EXTREMAMENTE IMPORTANTE que é ignorado pelo cliente (geralmente o pequeno), que opta por comprar de um banco de imagens: A imagem que o cliente fará dele quando visitar seu website ou tiver acesso ao seu material de divulgação.

Imagine a seguinte situação:
Você precisa contratar uma empresa de gestão de projetos em engenharia civil, mas não tem tempo para sair as ruas e fazer pesquisa, conhecer formas de trabalho, valores, prazos, enfim, tudo o que envolve a contratação de uma prestação de serviços.
Decide fazer uma busca pela internet e encontra três empresas, todas com sites bonitos, bem montados, com informações completas.
Apesar de não conhecer nenhuma delas, pelas informações todas parecem ter a mesma qualidade técnica.

Resolve fazer contato e clica em QUEM SOMOS, ou EMPRESA, ou qualquer link que seja designado a apresentar as pessoas que trabalham nesta empresa, e você dá de cara com esta imagem:


Você sabe que as pessoas desta foto são reais, integrantes do time de trabalho daquela empresa, mostrando quem são de fato.
Quem mostra sua cara transmite credibilidade, e a imagem da empresa se fortalece com isto.
Há a sensação de que eles realmente existem e isto transmite alguma tranquilidade.
Você se conecta.

Então acessa o mesmo link dos outros dois sites, concorrentes do primeiro, e encontra estas fotos:



Encontra apenas fotos de bancos de imagens – São as chamadas “imagens da internet”. (Ignorando as marcas d’água) São bonitas, bem elaboradas, mas… Você se pergunta “Quem são as pessoas que me atenderão?”, ou “Estas empresas realmente existem?”.
A página é fria, sem um primeiro contato real. A empresa deixa de existir e o que passa a existir é apenas um website – Mais uma página na vasta internet.
Você não se conecta.

Estou exemplificando com empresas de gestão de projetos, onde o serviço primeiro precisa ser prestado para somente depois o cliente pagar. Agora imagine se fosse uma loja virtual em que o cliente precisa primeiro pagar para somente então receber o produto? Ou mesmo pagando depois, imagine se fosse uma prestação de serviços em que o profissional precisa visitar o cliente? A pergunta que fica é “Como saber quem entrará pela minha porta?”.

Como cliente, a qual empresa você confiaria seu dinheiro: A que utiliza fotos de internet ou a que utiliza fotos de seu próprio estabelecimento, com seus colaboradores reais?

Tem visão estratégica o cliente / a empresa que investe uma fábula para construir (ou reestruturar) seu negócio, faz pesquisa concorrencial, treina a equipe, oferece bons produtos, contrata uma agência de publicidade, faz banner, cartaz, panfletagem, anúncio em jornal, revista, tv, mas acha caro contratar um fotógrafo para ajudar a construir a imagem de sua empresa?

Raciocina o cliente que confia a imagem de sua empresa a uma (pseudo) agência de publicidade que não contrata um fotógrafo, que faz por conta própria as fotos de sua empresa, “porque o diretor de arte tem uma câmera que troca a lente”, e se intitula fotógrafo, mas que nunca estudou linguagem fotográfica?

A fotografia precisa de muito conhecimento técnico para ser dominada. A linguagem fotográfica também é mais complexa que parece.
O cliente não tem obrigação de conhecê-las – Nem “diretores de arte” (entre aspas mesmo) sabem de fotografia. Então por quê não delegar o assunto a quem é da área?

Contratar um fotógrafo ajuda a boa apresentação do seu negócio. A percepção de valor muda para melhor.

Fotografia é investimento na construção da imagem da sua empresa.
Provavelmente seja o investimento mais barato que você fará em todo o processo de construção de marca – Não é inteligente investir milhares de reais em mídia para veicular uma imagem ruim, mal feita ou comprada da internet.

Pense sobre o assunto.

A concorrência no mercado fotográfico

Administro um grupo de fotógrafos profissionais, fotógrafos amadores e amantes da fotografia da região de Limeira, denominado FOTOCLUBE DE LIMEIRA.

Contrário ao que acontece na maioria dos chatos fóruns de discussão, cheios de egos inflados, de gente disposta a tudo para provar sua tese, nosso grupo é formado por pessoas muito dispostas a ajudar e também sem vergonha de perguntar. Raros casos, mesmo os egos maiores têm boas rédeas.

Enfim, no último trimestre de 2009 houve uma discussão saudável na lista, acerca do mercado fotográfico.
Postei uma mensagem que rendeu muito retorno direto, por fora do grupo, concordando, elogiando e colocando outros pontos de vista.

Publico aqui o que escrevi naquela ocasião:

Quando falamos em serviços, de qualquer área, a questão PREÇO é muito complexa.
Sempre digo que é preciso, de uma vez por todas, acabar com este paradigma de que “serviço é diferente de produto” – Aquele que acha justo pagar por um produto, mas não por um serviço.
Nós estamos na era dos serviços! Produtos são mais caros apenas pelos serviços agregados, pois sem eles, todo produto tende a “commodity”.
O cara que ainda não entendeu isto parou na década de 1940.

O segredo para sair da tricheira da guerra de preços é a especialização.

Nosso mercado está sofrendo uma transformação brutal devido a acessibilidade a tecnologia – O que é bom.
É preciso se atualizar, pois não basta (nunca bastou) ter um bom equipamento. Hoje qualquer um tem uma câmera que vai entregar arquivos excelentes.
Então, O QUE o cliente compra, quando contrata um fotógrafo? Um Apertador de Botão (um “commodity”), ou um técnico em iluminação, direção, linguagem e, por consequência, fotografia?

O cliente que entende que fotografia é apenas apertar um botão na verdade não é cliente de fotografia.
Um cliente de fotografia entende que a fotografia digital é muito mais complexa que isto e procura um técnico que desenha a luz, constrói uma composição que ele não pensaria.

O cliente que não sabe o que é fotografia é um dos males mercado. É preciso educá-lo e dar maturidade para que entenda o que é fotografia, para que ele saiba o que está comprando.

Outro mal do mercado é o que se intitula “fotógrafo” e tem medo de cobrar. Não é cobrar caro! É simplesmente cobrar. Ele acha que é um favor o cliente pagar.

“PUTZ! PINTOU UM CLIENTE! E AGORA, O QUE EU FAÇO?!?” – Assim pensa ele.
Este cara ainda não se entendeu fotógrafo. Ele não estudou, ele não investiu, ele não se atualiza. Ele sabe que não é fotógrafo, mas se intitula como um. Ele apenas tem uma câmera e aperta o botão.

Um Apertador de Botão sempre terá medo do que o cliente vai responder, quando ouvir seu preço.
“Tudo isto?!?” – Basta o cliente dizer esta frase para que o Apertador de Botão quase desmaie e imediatamente baixe seu preço pela metade, ainda pedindo desculpas para o interlocutor.

E este cliente de fotografia, tendo passado por esta experiência, SEMPRE vai partir para o leilão – E, claro, vai querer que o Apertador de Botão entregue os melhores arquivos do mundo.

Em todo mercado existe a concorrência por preço – Que não deixa de ser um diferencial, mas certamente esta é a PIOR das concorrências.
Quem não se respeita como profissional, jamais será respeitado pelo mercado.

Então lá vai o Apertador de Botão em sua árdua jornada, fotografar a contra gosto porque o cliente pagou apenas metade do que ele queria – E ainda reclama! …Muitas vezes com razão, pois ele contratou alguém que se intitulava “fotógrafo”, mas não sabia que contratou um Apertador de Botão, que conseguiu lhe entregar os arquivos mais grotescos do mundo.

Resultado: O cliente fica confuso na hora de contratar (pois agora todo mundo se intitula “fotógrafo” e ele contratou alguém que se dizia ser) e certamente nunca mais irá procurar aquele Apertador de Botão.
Se procurar, vai ser por conta do preço camarada que o Apertador fez, pois se assustou quando recebeu o orçamento com o valor real de um FOTÓGRAFO e ele acha que o FOTÓGRAFO está o explorando.

Assim o Apertador de Botões (que insiste em dizer que é fotógrafo, mas não faz nada para ser) nunca vai conseguir cobrar o que é justo.
O cliente fica sem saber quanto é o valor real para aquele serviço fotográfico, pois pagou baratinho para o Apertador, achando que contratou um FOTÓGRAFO.
E o FOTÓGRAFO fica sem o cliente.

Que cilada o nosso mercado!

Qualquer profissão exige uma faculdade de pelo menos 04 anos, estágio, entrada no mercado e só então a consolidação.
É preciso estar ciente que uma câmera fotográfica dSLR não é a Bolsa Mágica do Gato Félix. De dentro dela não vai sair uma profissão – Até porque a tecnologia está facilitando o acesso a este tipo de equipamento a qualquer um! Uma câmera não vai te fazer diferente das outras 20 pessoas que estão se propondo a entregar o mesmo serviço.
É preciso estudo, paciência, perseverança, ética e visão.

Um fotógrafo, assim como um dentista ou um advogado, precisa ser um bom gestor e não apenas conhecer sobre fotografia.
Ele precisa ser um bom administrador, um bom negociador, um bom estrategista, um bom contador.
É preciso se atualizar constantemente.

Existe uma associação que publica uma tabela de referência de valores para trabalhos fotográficos: É a ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos no Estado de São Paulo).
Enquanto nosso mercado não é regulamentado, a tabela referencial é um bom caminho.

…..
NOTAS:

– Já me vi como Apertador de Botão e o que escrevi acima diz muito a respeito de minha própria experiência. Já agi como tal, por isto acredito que possa falar desta situação com certa propriedade. Hoje me vejo como Fotógrafo – Mudei muitos conceitos e práticas.

– Me ver como Fotógrafo não quer dizer que já esteja satisfeito com a qualidade técnica da minha fotografia. Este dia nunca vai chegar.

– Não sou dono da verdade e nem pretendo ser! Sou dono apenas das MINHAS verdades e estou sempre aberto a mudar de opinião, desde que esta nova opinião derrume as minhas crenças.

Expus aqui porque acho que falar disto é muito saudável para o mercado fotográfico.