A concorrência no mercado fotográfico

Administro um grupo de fotógrafos profissionais, fotógrafos amadores e amantes da fotografia da região de Limeira, denominado FOTOCLUBE DE LIMEIRA.

Contrário ao que acontece na maioria dos chatos fóruns de discussão, cheios de egos inflados, de gente disposta a tudo para provar sua tese, nosso grupo é formado por pessoas muito dispostas a ajudar e também sem vergonha de perguntar. Raros casos, mesmo os egos maiores têm boas rédeas.

Enfim, no último trimestre de 2009 houve uma discussão saudável na lista, acerca do mercado fotográfico.
Postei uma mensagem que rendeu muito retorno direto, por fora do grupo, concordando, elogiando e colocando outros pontos de vista.

Publico aqui o que escrevi naquela ocasião:

Quando falamos em serviços, de qualquer área, a questão PREÇO é muito complexa.
Sempre digo que é preciso, de uma vez por todas, acabar com este paradigma de que “serviço é diferente de produto” – Aquele que acha justo pagar por um produto, mas não por um serviço.
Nós estamos na era dos serviços! Produtos são mais caros apenas pelos serviços agregados, pois sem eles, todo produto tende a “commodity”.
O cara que ainda não entendeu isto parou na década de 1940.

O segredo para sair da tricheira da guerra de preços é a especialização.

Nosso mercado está sofrendo uma transformação brutal devido a acessibilidade a tecnologia – O que é bom.
É preciso se atualizar, pois não basta (nunca bastou) ter um bom equipamento. Hoje qualquer um tem uma câmera que vai entregar arquivos excelentes.
Então, O QUE o cliente compra, quando contrata um fotógrafo? Um Apertador de Botão (um “commodity”), ou um técnico em iluminação, direção, linguagem e, por consequência, fotografia?

O cliente que entende que fotografia é apenas apertar um botão na verdade não é cliente de fotografia.
Um cliente de fotografia entende que a fotografia digital é muito mais complexa que isto e procura um técnico que desenha a luz, constrói uma composição que ele não pensaria.

O cliente que não sabe o que é fotografia é um dos males mercado. É preciso educá-lo e dar maturidade para que entenda o que é fotografia, para que ele saiba o que está comprando.

Outro mal do mercado é o que se intitula “fotógrafo” e tem medo de cobrar. Não é cobrar caro! É simplesmente cobrar. Ele acha que é um favor o cliente pagar.

“PUTZ! PINTOU UM CLIENTE! E AGORA, O QUE EU FAÇO?!?” – Assim pensa ele.
Este cara ainda não se entendeu fotógrafo. Ele não estudou, ele não investiu, ele não se atualiza. Ele sabe que não é fotógrafo, mas se intitula como um. Ele apenas tem uma câmera e aperta o botão.

Um Apertador de Botão sempre terá medo do que o cliente vai responder, quando ouvir seu preço.
“Tudo isto?!?” – Basta o cliente dizer esta frase para que o Apertador de Botão quase desmaie e imediatamente baixe seu preço pela metade, ainda pedindo desculpas para o interlocutor.

E este cliente de fotografia, tendo passado por esta experiência, SEMPRE vai partir para o leilão – E, claro, vai querer que o Apertador de Botão entregue os melhores arquivos do mundo.

Em todo mercado existe a concorrência por preço – Que não deixa de ser um diferencial, mas certamente esta é a PIOR das concorrências.
Quem não se respeita como profissional, jamais será respeitado pelo mercado.

Então lá vai o Apertador de Botão em sua árdua jornada, fotografar a contra gosto porque o cliente pagou apenas metade do que ele queria – E ainda reclama! …Muitas vezes com razão, pois ele contratou alguém que se intitulava “fotógrafo”, mas não sabia que contratou um Apertador de Botão, que conseguiu lhe entregar os arquivos mais grotescos do mundo.

Resultado: O cliente fica confuso na hora de contratar (pois agora todo mundo se intitula “fotógrafo” e ele contratou alguém que se dizia ser) e certamente nunca mais irá procurar aquele Apertador de Botão.
Se procurar, vai ser por conta do preço camarada que o Apertador fez, pois se assustou quando recebeu o orçamento com o valor real de um FOTÓGRAFO e ele acha que o FOTÓGRAFO está o explorando.

Assim o Apertador de Botões (que insiste em dizer que é fotógrafo, mas não faz nada para ser) nunca vai conseguir cobrar o que é justo.
O cliente fica sem saber quanto é o valor real para aquele serviço fotográfico, pois pagou baratinho para o Apertador, achando que contratou um FOTÓGRAFO.
E o FOTÓGRAFO fica sem o cliente.

Que cilada o nosso mercado!

Qualquer profissão exige uma faculdade de pelo menos 04 anos, estágio, entrada no mercado e só então a consolidação.
É preciso estar ciente que uma câmera fotográfica dSLR não é a Bolsa Mágica do Gato Félix. De dentro dela não vai sair uma profissão – Até porque a tecnologia está facilitando o acesso a este tipo de equipamento a qualquer um! Uma câmera não vai te fazer diferente das outras 20 pessoas que estão se propondo a entregar o mesmo serviço.
É preciso estudo, paciência, perseverança, ética e visão.

Um fotógrafo, assim como um dentista ou um advogado, precisa ser um bom gestor e não apenas conhecer sobre fotografia.
Ele precisa ser um bom administrador, um bom negociador, um bom estrategista, um bom contador.
É preciso se atualizar constantemente.

Existe uma associação que publica uma tabela de referência de valores para trabalhos fotográficos: É a ARFOC (Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos no Estado de São Paulo).
Enquanto nosso mercado não é regulamentado, a tabela referencial é um bom caminho.

…..
NOTAS:

– Já me vi como Apertador de Botão e o que escrevi acima diz muito a respeito de minha própria experiência. Já agi como tal, por isto acredito que possa falar desta situação com certa propriedade. Hoje me vejo como Fotógrafo – Mudei muitos conceitos e práticas.

– Me ver como Fotógrafo não quer dizer que já esteja satisfeito com a qualidade técnica da minha fotografia. Este dia nunca vai chegar.

– Não sou dono da verdade e nem pretendo ser! Sou dono apenas das MINHAS verdades e estou sempre aberto a mudar de opinião, desde que esta nova opinião derrume as minhas crenças.

Expus aqui porque acho que falar disto é muito saudável para o mercado fotográfico.

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2 comentários em “A concorrência no mercado fotográfico

  1. Hoje eu sou uma apertadora de botão, mas quero me especializar. (Como vc foi um dia)Simplesmente achei seu post perfeito. Fala tudo o que eu penso de maneira coerente.Parabéns.

  2. O futuro é a especialização, não importa seu mercado. Com fotografia não é diferente – A área é vasta. Não acredito naquele fotógrafo que faz casamento, estúdio, arquitetura, tricô e manicure. Quem faz tudo, não faz nada direito. O cara tem que ter um diferencial. Obrigado pela visita e pelo comentário, "Lu".

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